Sempre que me via escrevendo ou
lia um de meus textos questionava quando eu iria descrevê-lo em breves linhas.
Respondia sempre que não demoraria. Apesar das várias vezes que o sexo ocorria
verbalmente, eu jamais saberia descrever calmamente, em casa, na frente de um
computador, nada a respeito dele. Temia não conseguir manter fidelidade a
tamanho prazer. Nosso gozo, sempre dito, relatado, descarado, parecia jamais
encontrar palavras bastantes. Raul era pra mim fantasia indizível, uma verdade
delirante. E até mesmo nas mensagens que trocávamos, eu parecia precisar de
mais palavras. As pornografias do meu dicionário eram insubsistentes.
Raul. Um nome que eu gostava. Um
gosto que me agradava antes mesmo de provar. Era pra ser somente sexo. Mas
deixou antes mesmo da despedida. O prazer que se alia a algum tipo de afeto
cria um sabor diferente que eu nem me lembrava.
Veio de longe. Outro país. Alemão
como meu sobrenome, tinha a mesma descendência que eu. Estava de passagem por
aqui. Passou pela minha casa. Passou pela minha cama. Permaneceu na minha vida.
Dez dias. Foi o tempo real que tive. Uma vida inteira, foi o que realmente
ficou, tinha material suficiente para muitas masturbações solitárias. Minhas
lembranças de uma relação tão curta pareciam eternas.
Quando me avisou da sua vinda à
minha cidade, eu não esperava. Conversávamos no bate-papo virtual, sem
pretensões de um dia nos conhecer. De cara, não sabia se eu queria ou não
vê-lo. Minhas amigas me aconselhavam, mas no fundo, eu não precisava de conselho
algum.
Fui tomada por um sentimento de
desespero, medo e realidade. Como poderia eu, sempre sensata, realista e safa
marcar um encontro sexual pela internet com um cara que eu jamais tinha visto,
um forasteiro, um turista? Eu não queria ser realista, eu queria justamente
perder toda minha sensatez. Ainda que virtualmente, apenas eu me masturbando de
um lado e ele do outro, por simples sms na hora do trabalho ou da faculdade,
ele tinha o melhor de mim, despertava desejos, sensações que eu já havia me esquecido,
e que muitas mulheres jamais sentiram. Nos dias que precederam sua chegada, eu
vivia excitada, pensava em sexo o tempo todo, pensava no Raul me chupando.
O primeiro encontro. Um banho
quente, óleo perfumado pelo corpo. Indecisão na escolha do lingerie. A porta
destrancada. Pelas fotos, era ele mesmo que atravessava a rua. Eu o via se
aproximar pela janela e já sentia minha calcinha se umedecer ao mesmo tempo em
que uma ansiedade me tomava. Abri a porta olhando para o chão, não houve toque. Não era compreensível depois de tantas
mensagens excitantes, tantas descrições quentes, eu ser tomada por tamanha
timidez? Ele me parecia melhor ao vivo, mais quente, com o sorriso mais
indiscreto.
Me pediu um beijo, me puxou pra
si. Abri as pernas e me encaixei perfeitamente, como se aquele já fosse meu
lugar. Senti-lo firme, me tocava, me atiçava. Finalmente minha excitação
empurrou a timidez e tomou seu lugar de origem. A pressa, o desespero, o medo,
a vontade de me ver nua era tamanha que pouco importou o perfume, os óleos, o
lingerie que eu preferi não usar. Estava de vestido e só.
Eram noites intensas, um frenesi,
uma excitação permanente. Não queria soltá-lo, não queria parar. Gemia, me
contorcia, desejava ainda mais depois de cada orgasmo. Múltiplos. Sequenciais.
Vários. Eu jorrava. Erámos incansáveis, indestrutíveis. Jamais havia tido algo
tão maravilhoso que dispensava comentário. Mas eu adorava fazê-lo. Nossos olhos
falavam por nós, incendiados. Nossos corpos ditavam regras. Orgasmos múltiplos.
Suados, íamos tomar banho juntos
e era uma nova transa. Minhas pernas pareciam não aguentar. O banho era
interrompido e na pia do banheiro eu me sentava, me apoiava pra não cair. Ele
me chupava. Quantas vezes tive essa imagem mental e agora tudo era realidade. Ali
estava ele, olhando por cima, querendo encontrar meus olhos, querendo que eu
entregasse meu prazer. Ele me olhava e eu podia senti-lo rindo enquanto lambia
meu clitóris e enfiava o dedo, realizando todos os meus desejos momentâneos. E
quando eu me sentia forte o suficiente, tomada por um desejo insuportável, eu
me levantava e me apoiava na parede, de costas pra ele que agarrava minha
cintura e começávamos de novo.
E foi assim que conheci Raul.
Passamos juntos dez dias, dez noites em claro. Uma química indizível. Dez dias
que não têm explicação, uma sintonia que não pode ser desse mundo. Sinto imensa
falta dele, da sua língua, do seu corpo, da sua voz, do seu gosto.
Nunca mais o vi, mas sei onde
está, e o nosso desejo chega até o outro pela webcam, pelo email, pelo celular.
Sonho em vê-lo em breve. Mas enquanto isso não acontece, vou me masturbando
lembrando das nossas noites.
Adorei esse texto. fiquei excitado como quando o fato ocorreu. Muito obrigado pela bela descrição do momento que passamos juntos e pelas palavras de carinho.
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